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Competição, cooperação ou coopetição

Escrito Por: Felipe Jaco e Silva Publicado em: psicologia Data de Criação: 19/05/2019 Acessos: 110 Comentários: 0

Os efeitos colaterais que recompensas e punições às vezes causam na empresa pode ser crucial para a decadência. A manutenção de um clima organizacional é muito importante para o sucesso da empresa. E, principalmente, não se prenda aos métodos e ferramentas tradicionais – porque sempre pode haver opções muito mais interessantes esperando para serem descobertas.

Considerando as relações humanas, nós crescemos e aprendemos sobre o mundo, com algumas mentiras ao nosso redor. Só que de tanto ouvir essas mentiras uma vez atrás da outra, escolhemos acreditar em coisas que nem fazem sentido, sem perceber que mais tarde, elas podem se tornar os paradigmas que vão nos impedir não só de descobrir, mas também de seguir os nossos sonhos. Você sabe quando foi a última vez, em que você parou para refletir na diferença entre a maneira como você via o mundo quando era criança, e a maneira como você vê o mundo hoje, já com as crenças de alguém que talvez teve que se adaptar ao mundo real? Eu percebi uma dessas diferenças em mim mesmo. Já faz alguns anos, em um dia muito normal. Eu estava passando por um parque e vi algumas crianças brincando. Tudo estava normal, mas do nada, passou um sujeito de bicicleta do meu lado e na frente das crianças ele deu uma freada com um pulo, com um giro, com um mortal, não sei o que ele fez! Eu arregalei os olhos e  uma das crianças perguntou ao cara, me ensina a fazer isso?  Encurtando, eu achei tudo incrível, adoraria saber fazer aquilo para todas as meninas da escola verem. Mas, na verdade, só pensei que o cara estava se achando!" Como assim? O que isso tinha a ver? Hoje eu acho que posso confessar que aquilo só poderia ser recalque, né? Nada mais e nada menos do que inveja por não saber fazer igual. Porque, de alguma forma, alguma coisa me fazia sentir que se lá, na frente de todo mundo, eu também me deixasse mostrar toda a minha emoção, todo o meu entusiasmo, toda a minha admiração por aquilo que eu achava incrível, de alguma forma eu ia estar assumindo uma inferioridade por não saber aquilo também.

Só que, olha a diferença! Quando a gente é criança, a gente acha tão sensacional as possibilidades de descobrir mais sobre a vida e o mundo todo dia. Mas tão sensacional, que cada nova resposta que a gente consegue merece toda a nossa atenção. Merece todo o nosso foco, todo o nosso entusiasmo. E é disso que a criança cria aquela coragem. Aquela coragem de se aventurar no desconhecido e aprender o novo, uma vez atrás da outra sem parar. Peraí, sem parar não, né? Porque aí a gente começa a crescer e a gente começa a ouvir algumas coisas que são um pouco diferentes. Primeiro: se você quiser ser respeitado, você tem que ser o melhor na escola, para tirar as melhores notas, ter o melhor salário e vestir as melhores roupas.

Segundo: as pessoas são ruins. Então, não fala com desconhecidos. E não conta da sua ideia para ninguém, senão vão roubar. Terceiro: você não precisa de ninguém nem para ser feliz, nem para ter sucesso. Então, vai lá. Faz sozinho que você vai ser mais reconhecido. Entre outras coisas, né? Só que nada disso faz sentido, porque aí fica parecendo que a sociedade como um todo é só individualista. E está tudo separado nas suas caixinhas. Só que se tudo estiver separado nas suas caixinhas, eu sou eu, você é você. E aí, eu tenho que me garantir enquanto você se garante. E a força e o poder, que nós juntos teríamos para construir algo, ficam deixados de lado, para dar lugar àquele hábito, quase aquele vício, que a gente conhece, de ficar o tempo todo se comparando um com o outro.

Quando a gente vê alguém tendo sucesso ou sendo incrível em qualquer coisa, seja em ter saúde, em ter dinheiro, em ser feliz, ou até em ter aquele corpão; será que a gente para para se perguntar e refletir sobre o que a pessoa fez para criar aquilo na vida dela? No esforço que ela colocou? No que ela sacrificou? No que ela faz no dia a dia? Será? Ou será que a gente se compara e, ao se sentir pior, desmerece a pessoa com alguma justificativa para gente não sair por baixo. Faz sentido? Ah, aquele cara é sortudo! O emprego caiu no colo dele! Aquele outro? Para ele é fácil! Ele nasceu para fazer aquilo. Ai, mas com a genética dela, até eu! Não é mais ou menos assim? E a gente sai com o nariz empinado, o orgulho protegido, sem perceber que, naquele momento, a gente pode ter perdido a oportunidade de aprender a fazer algo que a gente também gostaria na nossa vida.

No fundo, todo esse padrão e todo esse processo de se comparar é resultado desse paradigma de competição extrema que a gente está vivendo, que eu tenho que competir com todo mundo o tempo todo. Só que será que vale a pena viver essa ideologia? Porque se eu começar a focar, nos meus dias, a ficar o tempo todo preocupado em julgar se eu estou acima ou abaixo de quem está do meu lado, meus dias vão se tornar uma guerra de quem consegue se mostrar mais perfeito do que o resto. Não é isso o que está acontecendo nas redes sociais? Será que é por isso que as redes sociais, contraditoriamente, estão se tornando uma das principais fontes de depressão da atualidade? Será que não é porque a gente vai lá e filtra tudo o que compartilha para parecer, aparentar, que a gente tem a vida perfeita para os nossos amigos. Sem perceber que os nossos amigos estão fazendo exatamente a mesma coisa. E aí os nossos relacionamentos, as nossas interações, vão gradualmente se tornando mais competitivas, com mais ostentação, que se tornou uma coisa boa hoje em dia, e mais vazias.

Na escola, o cara tem que estudar para ser o melhor e passar no vestibular, senão vão roubar a vaga dele. Mesmo sem ele saber se é aquilo que ele quer para vida. No trabalho, o empregado tem que "performar" e ser o melhor da equipe, se não vai ser o colega dele a ser promovido. Mesmo ele estando infeliz naquele trabalho. No casamento, esposas e maridos têm que ser perfeitos e conseguir satisfazer cada necessidade um do outro. Se não eles correm o perigo de serem substituídos. Formal ou informalmente, não é? Só que, no fundo, esse ciclo sem fim de competição não beneficia ninguém. Todo mundo sai perdendo. E por quê? Porque, vamos analisar as duas situações: se eu me sentir abaixo de alguém, eu vou acabar criando uma barreira que vai me separar dessa pessoa, por inveja, pela insegurança que eu sinto, pela baixa autoestima que ela me causa.

Por outro lado, se eu me sentir acima do outro, eu também me desconecto, eu também crio uma barreira. Só que, dessa vez, de arrogância. E cada vez eu me fecho mais na minha zona de conforto. E acaba que nenhum dos dois lados cresce. Nenhum dos dois lados aprende um com o outro. Nenhum dos dois lados aproveita as experiências juntos. Faz sentido isso? Sim? Só que o maior perigo desse processo não é a gente simplesmente se sentir isolado e triste ou pior que o outro. Eu estou falando aqui de um assunto mais sério. Eu estou falando de um perigo de a gente não conseguir entender quem a gente é. De um perigo de não conseguirmos entender quem a gente pode se tornar. O porquê de estarmos aqui. Eu vou explicar. É mais ou menos assim: quanto mais eu compito o tempo todo olhando para fora pra me comparar com quem está ao meu redor na tevê ou na revista, menos eu consigo olhar pra dentro e descobrir o que eu realmente quero. Quanto menos eu sei o que eu realmente quero, mais eu vivo e tomo as minhas decisões seguindo as expectativas dos outros.

Lutando pelas medalhas de sucesso dos outros. Mesmo que o sucesso e a felicidade para mim tenham um significado totalmente diferente. Só que não para por aí. Quanto mais a gente vive seguindo o rumo dos outros, mais a gente se afasta da construção do nosso rumo autêntico. Mais difícil fica de perceber a nossa essência. Mais difícil fica compreender quem somos. Porque a nossa identidade, gradualmente, vai se baseando em conquistas e derrotas de batalhas que talvez nem fossem para ser as nossas. E aí, sem saber quem você é, fica ainda mais difícil encontrar um propósito de vida.

Então, nesses momentos, eu gosto de lembrar daquela sabedoria de mãe. Que quando eu chegava para ela pedindo para fazer alguma coisa porque todo mundo fazia ou todo mundo podia, ela respondia com aquele clássico: "Não interessa, filho. Você não é todo mundo!" Não era mais ou menos assim? Então, qual é a solução? A gente parar de prestar atenção em todo mundo e se garante sozinho. Porque se garantir sozinho é uma das origens de toda essa bagunça que fazemos. Nos ensinaram que o mundo é escasso, então se eu ganho, você tem que perder e vice-versa. Que pedir ajuda, receber ajuda, e demonstrar os meus sentimentos é sinal de fraqueza. Que nessa vida não se pode contar com ninguém. Então, eu gostaria de botar isso à prova e desafiar isso, com a ajuda de vocês.

Eu vou pedir para você se concentrar e fechar os olhos. Agora, leva uma das suas mãos ao peito e sente o teu coração bater. E a cada batida de coração, você vai se lembrar dos momentos mais felizes da sua vida, aqueles grandes momentos, os inesquecíveis, os que marcaram a sua história. Agora, foca em um deles. Lembra daquele momento, percebe as cores que estavam ao seu redor. Sente o porquê você estava se sentindo daquele jeito. O que aconteceu naquele dia? Sua pele arrepiou? Qual era a temperatura do ar? Quem estava com você? Pode abrir os olhos. A minha pergunta para você agora é: nessa memória, você estava sozinho? Então, para cada um aqui que nessa memória tinha alguém consigo, eu peço para cruzar os braços com quem está ao seu lado. Isso. E agora, olha ao seu redor. Olha ao seu redor e percebe como a gente é parecido. Percebe como os momentos mais relevantes da nossa vida são praticamente impossíveis de viver sozinhos.

Eu, aqui escrevendo estou sozinho? Um atleta levantando o troféu no pódio está sozinho? Um cientista, depois de décadas de estudo, recebendo o prêmio Nobel, essas pessoas estão sozinhas? Essas conquistas dependeram só delas? Se a gente parar para pensar, ninguém consegue nada sozinho. A gente precisa aprender com os outros. Se motivar pelo bem que faz aos outros. A gente recebe o apoio, nos momentos mais importantes, dos outros. Então, por quê? Por que a gente se deixa convencer de que sozinhos somos mais fortes, que a gente não precisa de ninguém.

Não é praticamente uma sabotagem voluntária? Então, por outro lado eu posso falar de cooperação. Em vez de competir, cooperar. E cooperação para mim é entender que as pessoas não são ameaças, não são ferramentas, não são objetos. Mas que as pessoas são as nossas maiores fontes de aprendizado e as possibilidades mais incríveis de construir aquilo que antes sozinho poderia parecer impossível. Cooperar é entender que quando eu deixo de ver concorrentes ao meu lado e eu vejo potenciais amigos, aqueles jogos de segundas intenções, aquelas estratégias de "networking", se transformam em uma rede de aliados. Concorrentes se transformam em amigos aliados prontos para te ajudar a construir qualquer sonho que você possa ter. Cooperação é entender que são os relacionamentos que mudam a minha vida. Que são os relacionamentos que mudam a sua. Que são os relacionamentos que mudam o mundo. Cooperação é entender que são os relacionamentos que quebram paradigmas. Então o que é melhor: competir ou cooperar?

Porque continuamos colocando um modelo contra o outro, a gente vai manter o paradigma de comparar o que é melhor ou pior. E se a gente pudesse viver um pouco do equilíbrio dos dois. E se a gente pudesse juntar cooperação à competição? E se a gente pudesse criar um termo chamado de "coopetição". Parece legal não é? Esse é o desafio que eu trago aqui, para mim, pra você e pra todos nós. Eu te convido hoje a cooperar com o mundo ao seu redor para aprender, fazer acontecer e celebrar com a pessoas que têm tanto para te ensinar. Só que eu também te convido a competir o tempo todo sem parar. Só que com uma mudança. Uma mudança de adversário. Eu estou pedindo para você competir consigo mesmo. Compete com os seus medos. Compete com a sua vaidade. Compete com os seus vícios. Compete com os limites que você mesmo decidiu aceitar. Talvez assim a gente consiga sentir mais aqui. Eu sei que essa mudança não é nada fácil. Eu mesmo tenho sofrido muito com ela. Mas cada vez que eu percebo que eu não estou sozinho nessa jornada, eu ganho coragem para dar mais um passo em direção a uma realidade de mais propósito, de mais significado e de mais amor.

Em relação ao mundo corporativo, as formas pelas quais a cooperação se torna um tipo de máscara de superfície sob a qual as pessoas sentem-se cada vez mais isoladas e agem como atores individuais significa que, quando as instituições trabalham contra elas, não há mobilização de recursos coletiva. Vou dar um exemplo bem concreto disso. Para empregado da indústria financeira durante a grande crise de 2008, a última coisa que eles poderiam imaginar era se organizar, então se tornaram vítimas individuais dessa crise, e o que não estava em suas mentes era a noção de que eles poderiam ganhar força caso se organizassem de alguma forma.

 

Não um sindicato tradicional, mas algum tipo de esforço coletivo. Não estamos falando de... você sabe. Quando fomos aos centros de auxílio ao desempregado, todos disseram, "bem, sim, isso é terrível e não tenho dinheiro", e assim por diante... "Vou me tornar consultor." Eles nunca pensaram em abrir empresas juntos. A ideia era sempre que, sob essas condições, você está sozinho. Pois a noção, pelo menos para a classe média, esse novo tipo de pessoas desempregadas, é que elas são responsáveis, individualmente, pelo seu destino. Então, isso é muito profundo, dizer que me interesso pela criação de um novo tipo de capitalismo social, em novos termos, no qual existam os grupos de empregadores e empregados, que tenham o tipo de contato social uns com os outros no qual a cooperação não é um conjunto de palavras vazias, mas que de fato opere a administração da firma. Os alemães têm isso, é chamado "codeterminação", e data da Era Bismarquiana. Essas são empresas muito estáveis, são muito avançadas, são muito inovadoras, mas são empresas coletivas, são uma espécie de capitalismo social. Mas, sob o domínio desse capitalismo social esse tipo de "codeterminação" é ausente no resto do mundo. As pessoas falam de Estado versus Economia, o que é uma oposição errônea.

As dinâmicas dos ambientes corporativos estão mudando, quais serão os principais drivers de performance no futuro e como as empresas de hoje devem se adaptar. Sem jargões refinados ou outras complicações desnecessárias, Morieux e Tollman entregam a simplicidade prometida no texto de forma surpreendente e criativa, como no caso da ferrovia, que enfrentava sérios problemas com a pontualidade de seus trens de passageiros.

Várias iniciativas para melhorar os índices já haviam sido testadas, mas nenhuma deu os resultados esperados. Os sistemas de controle de tráfego foram melhorados e outras funções também sofreram alterações, mas os minutos ganhos tinham impactos negativos em outros indicadores, como custo, qualidade ou segurança e tudo voltava à estaca zero. Tentaram uma abordagem soft, segundo a qual o bom relacionamento entre os funcionários reflete-se no bom desempenho da empresa. Buscou-se, então, mudar a mentalidade dos funcionários – a maioria remanescente da época em que a empresa ainda era estatal – para que as respectivas mudanças comportamentais melhorassem os índices. Não funcionou. Tentaram a abordagem hard – baseada em estruturas, processos e sistemas  e criaram uma função para monitorar os atrasos, com o objetivo de identificar e punir os responsáveis pelas falhas.

Toda vez que um atraso acontecia, uma caça às bruxas procurava suas origens, vasculhando Manutenção, Condutores, Pessoal de Estação, Bilheteria, Limpeza ou qualquer outro para onde os dedos de acusação pudessem ser apontados. Isso também não funcionou, porque em situações assim, a tendência é que as pessoas simplesmente evitem as punições– o que é bem diferente de tentar fazer as coisas da maneira correta. A solução veio através de um insight tão engenhoso quanto ousado: ora, os atrasos normalmente ocorrem porque algum imprevisto acontece. Mas ninguém escolhe ter um imprevisto e, por isso, culpar alguém é injusto. Mas quando um imprevisto acontece em um ponto da ferrovia, os atrasos ainda podem ser evitados se os outros pontos trabalharem em conjunto para isso. Mas se a diretriz da empresa era punir culpados, os outros pontos da ferrovia, os não-culpados, não se envolviam com os problemas dos outros.

Afinal, eles estavam muito ocupados em não serem vistos como os responsáveis pelo atraso. Então, eles escolhiam não se envolver e, assim, não ajudavam. A mudança no comportamento só aconteceu quando a empresa decidiu que quando uma falha fosse identificada em uma determinada unidade da ferrovia e um atraso de fato ocorresse, as outras unidades é que seriam punidas, porque elas tinham a opção de agir para compensar o atraso, mas preferiram não ajudar. Com esta abordagem, os índices de pontualidade saltaram de 80% para 95% em apenas 4 meses. Note que a mudança aconteceu sem qualquer equipamento novo, sem novos sistemas operacionais, novas funções, nem mais funcionários. A empresa apenas passou a usar seus recursos de forma mais inteligente e, principalmente, estimulando a cooperação entre seus funcionários. Então, antes de punir ou premiar alguém por algo que aconteceu, pense se a pessoa realmente teve parte no evento – ou se aquilo foi obra do acaso. Além disso, tome cuidado com os efeitos colaterais que recompensas e punições às vezes causam, a manutenção de um clima organizacional é muito importante para o sucesso da empresa. E, principalmente, não se prenda aos métodos e ferramentas tradicionais – porque sempre pode haver opções muito mais interessantes esperando para serem descobertas.

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